09 maio 2009

Clandestina metade do meu ser.


As despedidas sempre foram pequenos rasgões de sangue.
Já sabia que tinhas partido e que tinhas levado tudo contigo…levas-te a minha alma, o meu coração…a minha esperança.
Não tenho culpa…ando pelo quarto e vejo cacos e pedaços de mim…levaste-me contigo, deixaste-me inteiramente desmoronada.
Eu não moro mais em mim, trancaram-me as portas.
Eu ando pela sala…eu perco as horas, eu fecho a porta, eu abro a janela…eu já não sinto a minha presença, já não sei quem sou.
Levas-te uma parte de mim…já não estou inteira.
Sinto-me não existir.
Eu em pedaços…eu em fragmentos…eu em bocados…eu em restos…eu em ruínas.
Mas será que me quero encontrar de novo? O que ganharia eu com isso?...
Derramei-me no chão e ali fiquei.
Os soluços erram ensurdecedores e as lágrimas já tinham formado pequenas poças no chão.
Nem que feche os olhos e veja o teu vulto nos meus sonhos…isso não me chega, isso não me consola e nem sequer me apazigua.
Não quero a minha metade! Não preciso dela!
A tua luz já nada me diz.
Quem te disse a ti que eu queria um retorno?
Se poder esconder, esconderei…mas se não conseguir esquecer, omitirei.
Que luta constante…que luta.
Serei eu uma sobrevivente…?
Eu sinto-me desaguar por dentro, sinto-me partir, sinto-me esvoaçar.
Perdi-me…ando por ai á solta, ando pelo mundo, ando pelo infinito.
Percorro as margens cegas de um passado.
Não sei…não sei mais nada.
Cheguei a um ponto em que prefiro ficar inerte, desejo ficar na apática alienação da tristeza. Deixa-me no meu canto, fui eu que o escolhi, e lá ficarei.
É tarde demais, é.
Incendiaste-me o coração…estou toda eu em chamas, em loucas labaredas, flamejo pelos cantos, amargurada e ferida.
Sabes o que é sentir que me perdi num interminável labirinto de desalento?
Sabes o que é acordar e nem sentir o calor da seda dos lençóis?
É a apatia, a fraqueza, a frouxidão, a dor. É o fim.
Não fico mais nesta asfixia torturante.
Tu segues em frente, levas bocados e trapos do meu ser. Eu aparo as fendas e varro o passado contingente.
É um adeus, eu sei que é.

“Em busca do destino a pessoa descobre-se a si mesma.”

Eu quero-me encontrar, …eu vou-me encontrar, eu vou-me descobrir e em mim ficar.
Já ouço o tilintar da esperança, é o som promissor da expectativa feliz de um sorriso.
O ontem já foi, quero é o agora, quero é o amanhã.

22 comentários:

SaraPereira. disse...

As despedidas são, sempre, difíceis e mais ainda quando sem sabermos, nos estamos a despedir de nós próprias.
Terá isso retorno? acredito que sim. Encontra-te num novo caminho, minha querida *

INÊS AFONSO disse...

Olá (: desculpa a invasão mas encontrei o teu blog e ADOREI mesmo! Tudo. E o design ta lindo. Podes-me dizer se tens alguns codigos ou assim? :$ obgd
beijinho*

INÊS AFONSO disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Lizzie disse...

Simplesmente lindooo :')

AnaLuísa disse...

descreves tão bem aquilo que a maioria já passou, aquilo que eu própria passei. a dor é muita, a confusão é muita. a solidão que se sente é ainda maior. mas tudo isso passa, podes ter a certeza x)

silvana, gosto do teu blog :) *

um mundo. disse...

se serve? chega para me deixar a transbordar de felicidade e satisfação (: muito muito obrigado, silvana.

"Eu quero-me encontrar, …eu vou-me encontrar, eu vou-me descobrir e em mim ficar." - acredita que vais! nenhum labirinto na vida nos consegue separar, para sempre, de nós próprios; por mais que pensemos que sim!

escreves cada vez melhor :$

*

SaraPereira. disse...

Se assim o desejares, terá.
A nossa força é sempre maior que qualquer outra *

Nada de agradecimentos :)

C. disse...

é por estas a por outras que eu nao gosto de despedidas. pior pior é pensar que ela já lá foi e que nao podemos fazer nada para que podesse ficar.. escreves muito bem (:

MollieBar disse...

este post faz-me lembrar o meu estado de espírito há cerca de 2 meses. até um mês passado, também... no mundo a única coisa que existia era a minha apatia e o meu sofrimento, aquilo que lavaram de mim, vivia num constante Locus Horrendus; o mundo era a minha tristeza. Eu não sei se se deve à minha força de vontade, à minha personalidade, mas dirigi o meu pensamento noutro sentido, e achei-me. Quis deixar de ser a pobre triste que foi traída e trocada pelo namorado, e deixei de ser. :)
eu digo coisas a mais, digo, mas gosto ser explícita em certas ocasiões. pronto, precisei deste para me subir o ego ;)
beijo *

Rita disse...

Adorei, mesmo!

baby piggy disse...

"Whatever tomorrow brings, I'll be there with open arms and open eyes" e a partir acho que é seguir.
Revi-me aqui, acho que todos que passarem aqui, vão sentir o mesmo.
Força Silvana, o post inspirado no outro ainda está para vir :p
Estamos aqui, para ti. *

antena zero disse...

igualmente !
belo blog também, parabens ! :p

Mariana Silveira disse...

Me lembra Lispector...
Onde ela diz que precisa desesperadamente se encontrar mesmo que essa seja a outra mentira na qual vive...
Eu gosto do texto... Eu gosto do blog.
Está, novamente, de parabéns.

Um abraço e ótima semana.

baby piggy disse...

Fico feliz :D quero ver resultados!
Força, força, força!

Inês disse...

se calhar dizer adeus é o melhor, mas não é o que quero :/

adorei mesmo este teu post; escreves tão bem *

Jessica Barroas disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Jessica Barroas disse...

fiquei maravilhada ao entrar aqui...
as palavras sao reflexos dos nossos sentimentos
:)

Jessica Barroas disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Rute' disse...

Perante um adeus queremos sempre um amanha.
Adorei *****

findaway. disse...

obrigada(:
adorei, mais uma vez, este texto. tão belo e sentido*

Homem de Ferro disse...

ADOREI ...
Nao imaginas como entendo Bem as Tuas palavras ... como as sinto !
Se passares pelo meu cantinho vais perceber !...

Beijo , Gostei muito da tua escrita !

marta filipa disse...

há tanto tempo...