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30 maio 2011

instantes adornados 3*


Ficavas sentada olhando as estrelas.Olhava-te, olhava o que ia ficando nas pausas entre cada sorriso. Tu com uma chávena na mão e eu com um livro de poesia na outra. Pensava em nós. Por ti mudei a razão das coisas, mudei quem costumava ser e tornei-me alguém melhor.Sou alguém sereno e tranquilo, não quero mais saber de coisas inúteis e imprestáveis.Continuo a observar-te, pareces pedir algo às estrelas.Penso em como gosto de te ter aqui ao meu lado, mesmo que as palavras não sejam primordiais, eu contento-me com a tua subtil presença.Quando não escreves estás a ler, manténs essa rotina, como que obrigatória, achas que assim consegues descobrir mais sobre ti.Decerto te digo que, “me maravilhas com essa tua paixão avassaladora, estonteante e desordeira”, tu respondes sorrindo e invadindo o meu olhar.“Queria prender-te, tornar a perder-te, achar-te assim por acaso no meu dia livre a meio da semana.”….estas palavras soltam-se do meu livro e parecem estar vivas dentro de mim.

É disto que nós somos feitos…de momentos que nos unem em pedaços de silêncio, entre sorrisos e olhares, permanecemos assim…perdidos nestes sinais de ternura.

05 setembro 2010

A vida é uma metamorfose


O verão acabou. Já não tenho vontade de ir á praia nem de fazer planos.

Já não penso em festas e dou por mim, deitada na relva sem nada para fazer, devaneando memórias e coisas passadas.

“Tanta coisa que passou…tantos bons momentos que vivi.”

Vou começar um novo rumo, um rumo completamente diferente.

Vou viver longe daqueles que mais gosto, vou habituar-me a estar sozinha e a fazer as coisas á minha maneira.

Ser mais independente, adaptar-me a coisas novas e a começar a ver o que é a vida.

Imagino-me a viver com estranhos, pessoas que estarão a passar uma nova fase, tal como eu, não sei de onde viram nem que sonhos têm, mas duma coisa tenho a certeza, vão estar na mesma situação que eu; a passar por algo novo e diferente!

Gosto de aventura, intensidade, emoção e agitação…gosto de pessoas, conhecer pessoas e interagir com elas, passar por coisas novas, viver coisas que ainda não tenha vivido, conhecer diversas coisas e lugares novos mas há um sentimento que é mais forte que tudo isso, que todas as novas boas sensações e novas possíveis amizades que se possam fazer ou, até mesmo, novas festas que se possam ir, ou novas cenas cómicas e parvas que se possam fazer…a saudade.

A Saudade…fazes-nos recuar, em vez de sentirmos êxtase e uma enorme efervescência, passamos a sentir solidão, tristeza e melancolia.

Por mais novas coisas que possa vir a conhecer e viver, vou sempre querer voltar atrás, “aos bons velhos tempos”, ás tais memórias que não se quer esquecer mas sim reviver.

Vou querer estar com aquelas tais pessoas e passar por aqueles tais momentos, coisas que só podem ser vividas e sentidas em determinados locais, sítios especiais, com pessoas únicas, pessoas que nos dizem muito, que nos tocam o coração.

Há coisas que ficam guardadas para sempre e há pessoas que nunca saem do nosso coração.

Guardarei tudo isso e levarei comigo, para onde for e onde estiver,vou ter sempre isso em mente.

26 setembro 2009

vejo-te pelos cantos da casa.

Parte II

eu sei onde me posso perder, eu sei onde te posso encontrar…mas ao mesmo tempo, eu não sei nada de tanta coisa.


os meus pensamentos passeiam pelas ruas, sorriem e assobiam como uma criança.
dizem-me que hoje estou feliz.
revejo-te comigo, vêm-me á memória os nossos momentos ternurentos.
entre palavras de mel e doçura, lembro-me dos miminhos e dos olhares, dos afagos e dos sinais de conforto e amparo.
duas mãos unidas, um olhar tímido, os batimentos do coração como banda sonora, um beijo como resposta…contemplamo-nos sem fim, sem pensar no dia de amanhã.
as tuas mãos na minha face, a luz nos teus olhos, as minhas mãos no teu cabelo, o vento que nos rodeia…o amor que nos une.
nesta magia a vida parece ter outro sentido, deixa-se a porta da felicidade entreaberta, o sofrimento, a dor, a angústia…tudo isso e tudo o resto estão arrumados num baú.
és o guardião da chave de ouro e eu a fragilidade do mundo, ambos vivemos na ambição da esperança.
temos uma viagem por percorrer, sei que nos vamos cruzar com as astutas luzes da insegurança, com o sedutor medo e a falsa ambição da dúvida.
mas também sei que estás cravado ao meu coração tal um alfinete está pregado a uma blusa.
enfrentaremos tudo juntos porque os sentimentos desmoronam as fronteiras e a distância.
eu penso sempre que estás aqui comigo, porque sei que estás e sempre estarás.
a tua presença é suprema, sinto-te a toda a hora…vejo-te em cada segundo…ouço-te em todos os meus sonhos…

os teus olhos serenos dentro dos meus olhos afáveis.
as tuas mãos confiantes entrelaçadas nas minhas mãos frágeis.
repousamos assim num desbravado sorriso …
“hoje eu sei que te amo.”

02 setembro 2009

vejo-te pelos cantos da casa.

Parte I


o candeeiro estava ligado, o silêncio era pegajoso, o teu perfume nos lençóis, o meu coração lento, sentia o palpitar…tento imaginar-te…”onde andas tu?”

adormeci com o teu cheiro nas mãos.
voavas pelo meu quarto, sentia-te ali tão perto de mim.
acordei a meio da noite com a tua blusa enrolada nos meus dedos.
o calor que se desprendia dela era tempestuoso, só de olhar para ela sentia as minhas pálpebras a humedecer.
o cinzento clarinho da tua blusa fazia-me pensar na calma que sentia ao teu lado, o sossego que tu me transmitias com um abraço, a paz interior que me davas com um olhar…
por momentos, ao tocar no tecido, jurei sentir a tua pele.
ao abraçar a blusa queria acreditar que eras tu que estavas ali.
com as minhas mãos, cheguei a camisa mais perto e fiquei quieta.
fechei os olhos…imaginei…o meu pensamento fugia, vagueava pelos cantos.
enterrei a cabeça no pano e senti o aroma, a suavidade…o calor.
toquei com os meus lábios no tecido, imóvel quis fazer parte.
quis ter-te ali, assente e presente.
quis olhar-te nos olhos mais uma vez, quis ouvir-te e sentir a tua respiração mais perto.
onde andarias tu?
enrolada á tua blusa, abraçada a ela, imaginava-me envolvida nos teus braços, contente e nostálgica, via-te ali, sorrindo-me como sempre, aconchegando-me e dizendo-me que mesmo estando ali, já tinhas saudades, já sentias a minha falta.

.noite seca e apática. o meu pensamento abstêm-se no silêncio escuro com o latejar do meu coração. onde andas tu?…a tua fotografia permanece na minha mente. sentes as minhas saudades? esta insónia dolorosa faz-me chorar por dentro…deixa-me matar estas saudades.

15 junho 2009

Caminhos achados e perdidos


o barulho dos carros a passarem, uma mãe com um bebé ao colo, restos de fumo vindos das chaminés, sonoros batuques dos saltos-altos, folhos de vestidos a esvoaçar, sorrisos e guinchos vindos das crianças, um velhote atravessa agora a rua, uma jovem senta-se na esplanada, paira no ar um cheiro a perfume intenso, um senhor buzina desenfreado e chama “camelo” ao homem do lado oposto, o suor escorre-me pela cara abaixo, desvio o olhar da rua por breves instantes, quando volto a olhar…apareces-me tu!
tu, com o teu eterno sorriso traquinas ao cantinho da boca, aproximas-te e deixas o cabelo cair-te nos olhos, “olá, tudo bem?”, um beijo á pressa numa das bochechas, olho-te de relance, “estás com bom ar”, sorris contente e ajeitas o cabelo, mordo o lábio inferior e o silêncio instala-se, baixo os olhos e afasto as recordações com um abanão brusco, pegas-me a mão direita, os meus olhos ficam inexpressivos, estás quente, ouço alguém a tossir, passam mais duas crianças pela rua, olhas-me agora intensamente como se os teus olhos quisessem falar, “é melhor ir andando”, digo eu apressadamente, recuo dois passos sem te olhar, soltas-me a mão, o teu olhar foge, “vemo-nos por ai”, pões as mãos nos bolsos e fixas os olhos no chão, tão árido como tu, o “vemo-nos por ai” fica-me a latejar na cabeça… olho para o relógio de pulso e já são três-horas, tenho a iniciativa de me despedir, olho-te com brevidade e dou mais dois passos para trás.
senti o teu olhar, pesado e sisudo, perseguir-me enquanto me afastava.
foi naquele momento que tive a certeza que voltaria a ver de novo o teu cabelo despenteado e o teu olhar de garoto, fiquei certa que assim seria.
sei, neste mesmo instante, que apesar de tudo, nada iria mudar. continuarias com o teu cabelo despenteado, com esse olhar maroto e esse sorriso ao canto da boca…continuarias a ser o mesmo, e eu..eu estaria sempre aqui, á espera de mais um encontro ocasional, preparada para te encontrar, assim de rompante, te achar, e pronta para te perder e dizer que tinha que ir “andando”…e nos veríamos “por ai”.
porque, por mais que quiséssemos ou não…acabaríamos sempre por nos encontrar e voltar a perder...foi sempre assim e nada vai mudar.

(eu acho-te ao virar duma esquina, e tu perdes-me num abrir e fechar de olhos.)